Alana recebe alta sob aplausos e protestos por justiça em São Gonçalo

Alana recebe alta sob aplausos e protestos por justiça em São Gonçalo

Após um mês internada e sobreviver a mais de 30 facadas, jovem de 20 anos deixou o hospital na manhã desta quarta-feira (4)

Polícia Atualizado em: 04/03/2026
Alana recebe alta sob aplausos e protestos por justiça em São Gonçalo

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Na manhã desta quarta-feira (04/02), a estudante Alana Anísio Rosa, de 20 anos, finalmente deixou o hospital, exatamente um mês após ter sido vítima de uma tentativa brutal de feminicídio no bairro Galo Branco, em São Gonçalo.

A saída da jovem foi marcada por uma recepção emocionante. Dezenas de pessoas — em sua maioria mulheres vestidas de branco — se reuniram em frente à unidade de saúde com cartazes nas mãos. O ato celebrou a recuperação considerada milagrosa de Alana e serviu como um forte protesto exigindo que o crime não fique impune.

Segundo informações divulgadas pelo site A Tribuna, a estudante foi recebida com aplausos, orações e muitas palavras de apoio. A mãe da jovem, Jaderluce Anísio, que tem sido um pilar durante todo o processo, falou sobre o misto de sentimentos na saída do hospital:

“Ela ficou um pouco assustada com toda essa proporção sim, mas espero que a cabecinha dela esteja bem. É muito triste, foi uma tentativa de feminicídio. A gente vai lutar com o que temos pra acabar com isso. Não é não”, desabafou.

Vizinhos e amigos também fizeram questão de marcar presença. A aposentada Lúcia da Silva resumiu o sentimento de quem acompanhou o drama da família: “Alana é uma guerreira e a mãe dela também é. Eu acredito que desceu algo do céu e tocou na vida dela, porque muitos não sairiam dessa situação. Foi o poder das orações. Queremos justiça”.

Alana estava internada desde o dia 6 de fevereiro, data em que sua casa foi invadida. A crueldade do ataque chocou o país: ela sofreu mais de 30 facadas, sendo cerca de 15 delas apenas nas mãos, em uma tentativa desesperada de se defender do agressor.

O quadro clínico inicial era gravíssimo. A jovem passou aproximadamente 15 dias em coma induzido, precisou de uma traqueostomia para conseguir respirar e foi submetida a uma cirurgia complexa nas mãos. Após deixar o Centro de Terapia Intensiva (CTI), Alana iniciou as sessões de fisioterapia e, nos últimos dias, já conseguia respirar sem o auxílio de oxigênio, sendo transferida para o quarto antes da alta definitiva.

O desfecho, segundo a própria família, só não foi trágico porque Jaderluce chegou a tempo de interromper o ataque, fazendo com que o criminoso fugisse.

O autor do crime, Luiz Felipe Sampaio, está preso. A motivação escancara a perversidade da perseguição (stalking): ele não aceitou a rejeição de Alana.

Segundo a família, Luiz Felipe enviava cartas e presentes anonimamente. Quando finalmente revelou sua identidade, Alana foi clara ao dizer que não queria nenhum envolvimento e que seu foco eram os estudos. Inconformado com o "não", ele planejou e executou a invasão.

Com a repercussão nacional do caso, as autoridades agiram rápido. O Ministério Público já denunciou Luiz Felipe por tentativa de feminicídio e solicitou que ele seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Além da condenação penal, o MP exige o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil à vítima pelos danos causados.

Editor: Fernando Machado

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